04/08/2008

Evento bacana


Ao recebermos um email divulgando o evento “Sustentabilidade: a cidade de hoje e a cidade do futuro”, promovido pelo canal GNT e pelo Pólo de Pensamento Contemporâneo (POP) , no Rio de Janeiro, nós, da FOCUS VOICE COMUNICAÇÃO, decidimos que tínhamos de ir. Afinal não é todo dia que se tem a oportunidade de compartilhar informações com personalidades e profissionais do porte do economista e cientista social Eduardo Giannetti, uma das cabeças pensantes mais brilhantes do país, do engenheiro Marcelo Takaoka, presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável e do arquiteto Ruy Rezende, que projetou o Edifício Cidade Nova, primeiro prédio verde do Rio de Janeiro.


A grande procura fez o pessoal do Pólo cogitar a exibição do debate via telão para o público que não havia reservado lugar com antecedência. Como Deus é pai e não padrasto, muitos dos que já tinham confirmado presença acabaram integrando a turma do no show, para sorte nossa.


Pelo fato do evento ser filmado, houve necessidade de ‘afinar’ luz, som e câmera, o que fez a ‘ação’ demorar pra acontecer. Mas, depois de um atraso considerável, foi dada a palavra aos expositores.




Eduardo Giannetti


Eduardo Giannetti foi o primeiro a falar, dando a sua definição de Sustentabilidade: “eu diria que é a distribuição adequada de valores no tempo”. Para vencer uma corrida de longa distância – ele exemplifica – o ideal é que se distribua o esforço físico ao longo da corrida. Quem dá tudo de si logo de saída tem menos chances de chegar numa boa colocação, o mesmo

acontecendo com quem se poupa para disparar na reta final.


Os problemas da sociedade, diz o economista, em geral se resumem à cognição, à estratégia utilizada e ao aspecto comportamental. Para Giannetti, as pessoas têm dificuldades de antever os problemas e vê-los através do contexto, ou seja, de saber em que momento de suas vidas e da história, exatamente, elas estão. A isto ele chama de dificuldade cognitiva.


Em segundo lugar, ele aponta a estratégia como, talvez, o fator mais paralisante dos três, pois ela implica em saber que decisão tomar. E esta decisão tem de levar em consideração o item 3, que é o

comportamento futuro, isto é, em quem queremos nos tornar.


O rápido desenvolvimento da China e da Índia é algo preocupante, diz Giannetti. “Se eles crescerem com os mesmos padrões de consumo dos EUA, copiando o modelo de comportamento do gigante americano, vai ser um caos”.


Ele conta que ainda não se pode confiar no nível de conscientização da sociedade. A British Airways, diz Giannetti, disponibilizou passagens um pouco mais caras, que ajudariam a comprar créditos de carbono para compensar a poluição provocada pelos aviões. “Nenhum passageiro se interessou”. Outro exemplo – ilustra o economista – é do Wal-mart, cuja seção de produtos ecológicos teve uma demanda próxima de zero.


Isso mostra, segundo ele, que a solução é mudar os incentivos, e na sua opinião esta solução seria fazer com que as pessoas tenham interesse financeiro em praticar atos ambiental e socialmente responsáveis.”


Num nível mais macro, envolvendo os governos, Giannetti demonstra pouco entusiasmo em relação às ações que vêm sendo tomadas, tais como a assinatura de protocolos, como o de Kyoto: “Só Inglaterra e Suécia estão ampliando suas metas para reduzir emissões”.




Ruy Rezende


A fala do arquiteto Ruy foi, naturalmente, mais técnica, entrando em detalhes das características das construções sustentáveis, como o Reuso da Água, que já é lei no Estado do Rio de Janeiro.


Segundo Ruy, este tipo de construção tem um valor 7% a 10% mais caro. No entanto, a economia que se tem com a manutenção – leia-se condomínio – vale a pena.


O arquiteto concorda com Giannetti no que se refere aos incentivos financeiros para que as pessoas adotem posturas mais sustentáveis. E cita o caso do Apagão, quando as pessoas aprenderam ‘através do bolso´como consumir energia de forma responsável. No entanto, ele discorda que sejam os consumidores que tenham de pagar pelo impacto que as empresas causam ao meio ambiente, como a emissão de gás carbono.




Marcelo Takaoka


Na abertura de seu discurso, o presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável lembrou um episódio ocorrido na Martinica em 1932 para ilustrar como as pessoas, muitas vezes, não conseguem se conscientizar a tempo da gravidade de uma situação: numa cidade que tinha 30 mil habitantes, o aviso de que um vulcão estava prestes a explodir foi divulgado várias vezes, e com muito tempo de antecedência. No entanto, só mil pessoas deixaram a cidade. As outras 29 mil, acreditem ou não, ficaram. E, óbvio, morreram.


Não é mesmo fácil alertar a sociedade. E muito menos incutir novos conceitos.


Marcelo esclarece que, ao contrário do que muitos pensam, 80% do impacto ( consumo dos recursos naturais) causado por um edifício não está na fase de sua construção, mas sim depois que a obra está terminada, na manutenção do prédio. Este é um dos motivos que levam Takaoka acreditar que os administradores condominiais deveriam participar do projeto de concepção do edifício.


Outra tecla que o presidente do CBCS sempre bate em suas apresentações é o modelo de trabalho, que seg undo ele, deve ser revisto. “Não tem sentido – diz ele – o cara sair de casa, onde ele tem um computador, para ir para o trabalho onde ele vai trabalhar no

computador. Com isso, ele gasta mais transporte, o que significa mais poluição”. Segundo ele, deveria se lutar para que houvesse uma política pública que permitisse aos cidadãos trabalhar em casa sempre que isso fosse possível.




Perguntas:


Algumas perguntas feitas pela platéia na verdade, foram pretextos para que os debatedores nos dessem mais alguns dados sobre a questão da Sustentabilidade.


Eduardo Giannetti disse que em 2009 a população urbana será maior do que a rural, e este aumento fará com que cresça a demanda por alimentos e produtos de consumo. Marcelo Takaoka faz um adendo, no qual esclarece que a população do campo não tem diminuído, mas que o excesso desta população é que tem vindo para as cidades.


Uma das perguntas foi: “Por que as construtoras não divulgam que determinadas construções são sustentáveis?” Ao que o arquiteto Ruy Rezende respondeu que a Prefeitura do Rio de Janeiro estava pensando em criar uma espécie de ´selo verde´, e que ele, Ruy, deu a sugestão para que estas construtoras tivessem uma isenção de IPTU (o que vem ao encontro da sugestão do economista Giannetti de criar incentivos financeiros para que se adotem conceitos ambientalmente responsáveis).


Também houve duas perguntas sobre as ecovilas, que funcionam de maneira totalmente sustentável, mas que, em geral, estão localizadas longe dos grandes centros. O engenheiro Marcelo Takaoka não acredita que este estilo de moradia seja viável nas cidades, pois exige um nível de abnegação de conforto que nem todos estão dispostos a ter.


O caso da Euroville, citado por alguém da platéia, e que parece ter sido o primeiro modelo de ecovila que se tem notícia, era desconhecido pelos debatedores. No entanto, Giannetti faz uma comparação com Brasília, que foi criada para ser uma cidade-modelo, a cidade do futuro. “E olha aí no que ela se transformou.”


No rápido debate entre os expositores, o arquiteto Ruy diz que discorda do economista Eduardo no que se refere à quem deva pagar pela poluição causada pelas empresas: ele acredita que são as próprias empresas a arcar com este custo. Na tréplica, Giannetti reafirma sua posição, chamando a atenção para o fato de que, na prática, sempre é o consumidor quem paga, e que o preço dos produtos e mercadorias tende mesmo a crescer em cenários como o que se vislumbra. Ou seja, de uma maneira ou de outra, o cidadão vai acabar pagando mais pelo que hoje ele adquire por um valor acessível. E é ‘doendo no bolso’ que haverá conscientização.


Saímos de lá pensando: será mesmo que só através do bolso pode haver uma conscientização?


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